Modelo britânico reduziu o custo do seguro, cuja cotação média era em torno de 4,5 mil libras esterlinas e hoje é de 1 mil libras esterlinas, o que possibilitou que mais residências contratassem a proteção
A Flood Re, no Reino Unido, é um exemplo de como é possível viabilizar a cobertura contra enchentes no seguro residencial. Afinal, ela foi criada para garantir que o seguro contra inundações seja acessível e disponível para todos, operando de forma eficiente e econômica e cobrindo uma lacuna de proteção existente no mercado.
A Flood Re é uma parceria público-privada e atua como um mecanismo de compartilhamento de riscos com 50 participantes, entre seguradoras e MGAs, o que permite que imóveis localizados em áreas sujeitas a enchentes tenham acesso a seguros com preços mais acessíveis. Segundo o CEO da Flood Re, Perry Thomas, a atuação da resseguradora possibilita que o mercado de seguros continue cumprindo seu propósito, enquanto o governo exerce seu papel social.
“Isso possibilita que entre 78% e 80% das residências possuam cobertura para perdas decorrentes de catástrofes naturais. É um dos índices mais elevados do mundo, comparável apenas ao da Suiça. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa cobertura é de cerca de 60%.”
Thomas também destaca que um dos principais objetivos do governo britânico é justamente evitar intervir em áreas nas quais o mercado privado consegue atuar sozinho.
Cabe destacar ainda os investimentos do governo em infraestrutura de proteção contra inundações. Vale mencionar que as perdas anuais causadas por alagamentos no Reino Unido são estimadas em 600 milhões de libras esterlinas.
“Em grandes eventos, as perdas podem alcançar 10 bilhões de libras esterlinas. Quando os custos são distribuídos entre 30 milhões de residências, eles permanecem administráveis ”, contextualiza.
Para se ter uma ideia do impacto da Flood Re na redução do custo do seguro, em 2016 a cotação média de uma apólice era de cerca de 4,5 mil libras esterlinas. Atualmente, o custo médio é de aproximadamente 1 mil libras esterlinas.
“O mecanismo de proteção funciona porque é financiado pela indústria seguradora. Cada apólice residencial contribui com uma pequena taxa destinada à Flood Re”, explica o CEO sobre a atuação da companhia, que cumpre o princípio básico do seguro: diluir o risco em uma grande comunidade.
Segundo ele, quando os riscos ficam concentrados em um grupo menor de residências, o seguro se torna automaticamente mais caro, o que acaba excluindo parte das famílias do acesso à proteção. “Áreas sujeitas a inundações costumam ter terrenos mais baratos. Consequentemente, são construídas habitações de menor custo, e os moradores geralmente pertencem a grupos socioeconômicos mais vulneráveis. É justamente por isso que o tema se transforma em uma questão de política social.”
Outro ponto importante é que, no Reino Unido, quem deseja obter uma hipoteca precisa contratar um seguro residencial. O mesmo vale para quem deseja vender uma casa e depende do financiamento por parte do comprador. Portanto , segundo Thomas, garantir o acesso ao seguro é essencial para permitir a mobilidade das pessoas no mercado imobiliário.
A atuação da Flood Re também se expandiu para a área de formação profissional com a criação da Flooding Academy, uma academia especializada em enchentes voltada à capacitação de pessoas.
“Nossa intenção é transferi-la para a Associação Britânica de Seguradoras (ABI) e para o Chartered Insurance Institute (CII), transformando-a em um padrão para toda a indústria”.
O modelo britânico é frequentemente citado como referência internacional para ampliar a proteção contra eventos climáticos extremos sem substituir a atuação do mercado privado. Inclusive, Thomas apresentou case de sucesso da Flood Re durante visita técnica da delegação brasileira à sede da Guy Carpenter, em Londres. Inspirados e atentos à importância da agenda climática, executivos integram a missão brasileira para o Reino Unido organizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) que inclui uma série de ações durante a London Climate Action Week e o Brazil – UK Insurance Forum.
O post Flood Re possibilita que cerca de 80% das residências no Reino Unido tenham seguro com cobertura para alagamentos apareceu primeiro em Newsletter da Revista Cobertura.




