Brasil ainda subutiliza Seguro Garantia Contratual como instrumento de proteção

De acordo com especialista, crescimento dos contratos de infraestrutura amplia a exposição financeira de empresas que ainda negligenciam a gestão de risco O Brasil vive em 2026 o maior ciclo de investimentos em infraestrutura da história desde 2014. Segundo a ABDIB, o setor deve movimentar cerca de R$ 300 bilhões neste ano, com peso crescente…

De acordo com especialista, crescimento dos contratos de infraestrutura amplia a exposição financeira de empresas que ainda negligenciam a gestão de risco

O Brasil vive em 2026 o maior ciclo de investimentos em infraestrutura da história desde 2014. Segundo a ABDIB, o setor deve movimentar cerca de R$ 300 bilhões neste ano, com peso crescente do capital privado. Leilões, concessões, PPPs, obras do Novo PAC, projetos de saneamento, energia e logística sustentam um ambiente de forte expansão da atividade.

Mas, enquanto o número de contratos cresce em ritmo acelerado, especialistas apontam que a gestão dos riscos envolvidos nessas operações não evoluiu na mesma velocidade. Para empresas de médio porte, a combinação entre contratos mais robustos, custos elevados da construção civil e restrições de crédito amplia a exposição financeira ao longo da execução dos projetos.

Felipe Ramos
Felipe Ramos

Segundo Felipe Ramos, CEO e fundador da Granto Seguros, especializada em Seguro Garantia Contratual, esse é um dos principais pontos de atenção para o novo ciclo de infraestrutura brasileiro. “O Brasil nunca teve tanto dinheiro comprometido em contratos de obras e infraestrutura como agora. O problema é que muitas empresas continuam assumindo riscos sem avaliar adequadamente como proteger seu fluxo de caixa e sua capacidade financeira durante a execução desses contratos.”

Na avaliação do executivo, muitas empresas ainda recorrem à caução em dinheiro ou tratam o Seguro Garantia apenas como uma exigência contratual, deixando de utilizá-lo como ferramenta de gestão financeira. Em contratos de grande porte, essa decisão pode comprometer o capital de giro justamente em um momento de aumento dos custos operacionais.

O cenário reforça essa pressão. O custo da mão de obra na construção acumulou alta próxima de 9% nos últimos 12 meses, enquanto o INCC segue pressionando o orçamento das obras. Ao mesmo tempo, juros elevados, carga tributária e escassez de mão de obra qualificada figuram entre os principais desafios apontados pelas empresas do setor para 2026, aumentando o risco de atrasos, desequilíbrios financeiros e inadimplência na cadeia de fornecedores.

Apesar desse contexto, o Seguro Garantia Contratual ainda é utilizado predominantemente quando exigido em edital ou contrato. Dados da SUSEP mostram que o segmento segue em crescimento, mas sua adoção permanece concentrada no cumprimento de obrigações formais, e não como instrumento de mitigação de riscos e preservação de liquidez.

“O seguro garantia não deveria entrar apenas na assinatura do contrato. Quanto mais cedo ele é considerado no planejamento financeiro da empresa, maior é sua capacidade de preservar capital de giro e dar segurança para executar projetos de maior porte”, afirma o executivo.

Para o especialista, o atual ciclo de investimentos representa uma oportunidade para amadurecer a cultura de gestão de risco no setor de infraestrutura. A tendência, segundo ele, é que o Seguro Garantia deixe de ser visto apenas como uma obrigação contratual e passe a integrar a estratégia financeira das empresas, acompanhando o aumento da complexidade e do volume dos projetos previstos para os próximos anos.

FONTE: MENTION

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