Reforma Tributária exigirá adaptações de corretores e seguradoras, apontam especialistas

Debate reuniu mais de 270 participantes e discutiu impactos tributários, tecnológicos e operacionais das novas regras para o mercado de seguros A implementação da Reforma Tributária deverá provocar mudanças que vão além do recolhimento de impostos e alcançar sistemas, processos operacionais, distribuição e a relação entre seguradoras, corretores e clientes. Os impactos das novas regras…

Debate reuniu mais de 270 participantes e discutiu impactos tributários, tecnológicos e operacionais das novas regras para o mercado de seguros

A implementação da Reforma Tributária deverá provocar mudanças que vão além do recolhimento de impostos e alcançar sistemas, processos operacionais, distribuição e a relação entre seguradoras, corretores e clientes. Os impactos das novas regras estiveram no centro do debate “Reforma Tributária e seus efeitos para o Corretor de Seguros”, que reuniu mais de 270 participantes neste sábado, 29, durante o último dia de atividades do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros.

Reforma Tributária

 

Durante o encontro, que contou com a moderação do presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP), Boris Ber, a superintendente de Acompanhamento Técnico da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Karini Madeira, elencou três aspectos que concentram parte das discussões do setor com a Receita Federal: a emissão de notas fiscais e a geração de créditos tributários; a necessidade de identificar os clientes contribuintes de IBS e CBS; e a forma de dar transparência aos tributos nas operações de seguros.

“A reforma tributária não afeta apenas a área de tributos e pagamentos. Vai afetar sistemas, distribuição e a forma como trabalhamos hoje”, afirmou Karini. Segundo ela, seguradoras e corretores integram uma mesma operação, o que exige que as soluções regulatórias considerem os efeitos sobre toda a cadeia. “Se não funciona para os corretores, não funciona para as seguradoras”, disse.

Um dos principais pontos em discussão é a operacionalização das notas fiscais, especialmente nas operações com segurados contribuintes de IBS e CBS, que poderão ter direito a créditos relacionados ao seguro e ao serviço de intermediação. A CNseg vem defendendo alternativas que evitem a necessidade de emissão individualizada de documentos e reduzam a complexidade operacional.

Robert Bittar
Robert Bittar

O desafio foi reforçado pelo vice-presidente Financeiro da Federação Nacional dos Corretores (Fenacor) e vice-presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Robert Bittar. O executivo explicou que, neste momento, o foco das entidades está principalmente nos atos infralegais que definirão como as novas obrigações serão executadas, com a busca por uma operacionalização mais simples. Ele acrescentou que a quantidade de documentos e informações exigidas poderá demandar soluções tecnológicas específicas para tornar o processo viável para as corretoras.

Palestrante do encontro, Regis Renzi, coordenador do Comitê Contábil-Tributário do Sindicato dos Corretores de São Paulo (Sincor-SP) e representante do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP) em Suzano, destacou que a preparação das corretoras deverá incluir uma análise individual de suas operações. Faturamento, composição da carteira entre pessoas físicas e jurídicas, possibilidade de geração de créditos e regime tributário são alguns dos fatores que deverão ser considerados. “Não tem uma conta mágica. É preciso olhar o número de cada corretora, entender o cenário e fazer a melhor opção”, afirmou.

Regis Renzi
Regis Renzi

Renzi também chamou atenção para a transparência prevista pela Reforma Tributária e usou uma compra no supermercado para exemplificar a mudança. Atualmente, o cupom fiscal informa um valor aproximado dos tributos incidentes sobre os produtos. Com o novo modelo, sinalizou, a sistemática deverá permitir a identificação mais precisa do valor da compra e da parcela correspondente aos impostos, tornando mais clara para o consumidor a carga tributária incidente na operação.

No mercado de seguros, porém, essa transparência encontra particularidades. Karini esclareceu que a base de cálculo das seguradoras considera componentes que não são conhecidos no momento da emissão da apólice, como o volume de prêmios recebidos, os sinistros pagos e outras deduções. Por isso, diferentemente de outras operações, não será possível simplesmente destacar IBS e CBS na proposta ou na apólice como um valor previamente conhecido.

Karini Madeira
Karini Madeira

Outro desafio está na identificação do cliente já no momento da contratação. Para aplicar corretamente as regras e permitir a apropriação de créditos quando cabível, será necessário saber se o segurado é ou não contribuinte de IBS e CBS. A CNseg, disse Karini, defende uma solução sistêmica que permita acessar essa informação sem transferir integralmente para seguradoras e corretores a responsabilidade de identificar a situação tributária de cada cliente.

Apesar da proximidade da entrada em vigor das novas regras, a superintendente ressaltou que parte da regulamentação ainda está em construção e que o setor mantém interlocução com a Receita Federal. “O prazo é curto para implementar, há muita coisa para fazer e decisões importantes a serem tomadas. Mas ainda temos espaço para influenciar a discussão”, concluiu.

FONTE: CNseg

Notícias relacionadas:

Fenaber participa de debate sobre Reforma Tributária na 4ª edição da Regulation Week

Reforma Tributária acelera profissionalização do mercado de corretagem de planos de saúde e impulsiona modelo de multi notas

O post Reforma Tributária exigirá adaptações de corretores e seguradoras, apontam especialistas apareceu primeiro em Newsletter da Revista Cobertura.