Avanço tecnológico não substitui o olho no olho no mercado de seguros

A transformação tecnológica nunca avançou tão rapidamente. Inteligência artificial, automação, análise de dados e plataformas digitais e novas ferramentas de relacionamento passaram a fazer parte da rotina das empresas em praticamente todos os setores da economia. No mercado de seguros, a tecnologia permite a seguradora emitir apólices em minutos, automatizar processos, analisar riscos com muito…

A transformação tecnológica nunca avançou tão rapidamente. Inteligência artificial, automação, análise de dados e plataformas digitais e novas ferramentas de relacionamento passaram a fazer parte da rotina das empresas em praticamente todos os setores da economia. No mercado de seguros, a tecnologia permite a seguradora emitir apólices em minutos, automatizar processos, analisar riscos com muito mais precisão, identificar indícios de fraude, agilizar a regulação de sinistros e oferecer experiências cada vez mais personalizadas aos clientes. A tecnologia deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito básico de competitividade.

Rodrigo Motroni
Rodrigo Motroni

No entanto, à medida que a tecnologia evolui, o verdadeiro diferencial do mercado segurador passa a ser justamente aquilo que ela não substitui: pessoas, relacionamento e proximidade. Afinal, o seguro é, antes de tudo, um negócio baseado em confiança. Diferentemente de outros produtos, ele é adquirido para um momento que ninguém deseja viver. Seja uma perda patrimonial, um acidente, uma ação judicial ou um evento climático, o cliente espera mais do que uma cobertura contratual. Ele espera acolhimento, orientação, segurança e alguém que esteja ao seu lado quando o inesperado acontece.

É nesse ponto que nenhuma tecnologia consegue assumir o protagonismo. Ferramentas digitais aproximam informações, automação acelera processos e algoritmo analisam dados. Tudo isso é imprescindível e fundamental para oferecer um serviço ágil e eficiente. Mas pessoas constroem relacionamentos, tomam decisões complexas e compreendem contextos. E isso é insubstituível.

Por isso, acredito que a grande missão da tecnologia dentro das seguradoras não seja substituir profissionais, mas potencializar sua atuação. Quanto menos tempo as equipes gastam com tarefas operacionais e burocráticas, mais tempo podem dedicar ao atendimento consultivo, à construção de relacionamentos e à compreensão das necessidades de cada cliente e parceiro de negócios.

Essa lógica vale também para os corretores de seguros, protagonistas históricos da distribuição no Brasil. Em um mercado cada vez mais digital, sua relevância não diminui, mas se transforma. O corretor deixa de ser apenas um intermediário para assumir, cada vez mais, o papel de consultor, capaz de interpretar riscos, orientar decisões e construir relações de longo prazo.

O mesmo acontece na relação entre seguradoras e seus parceiros. Plataformas digitais facilitam a comunicação, aplicativos agilizam demandas e sistemas tornam operações mais eficientes. Mas nenhuma dessas soluções substitui a confiança construída em uma conversa olho no olho, em uma visita ao cliente ou uma reunião para entender os desafios e encontrar a melhor solução.

Outro aspecto pouco discutido sobre a evolução tecnológica é que, quanto mais simples e ágil se torna a interação digital, maior é o valor percebido quando há proximidade humana. Em um cenário em que praticamente tudo pode ser resolvido por uma tela ou um clique, o contato pessoal deixa de ser apenas um diferencial comercial e passa a representar um ativo estratégico.

Importante deixar claro que isso não significa resistir à inovação. Pelo contrário. O mercado segurador precisa continuar investindo em tecnologia, inteligência artificial, dados e automação. Essas ferramentas tornam as operações mais eficientes, reduzem custos, melhoram a experiência do cliente e ampliam a capacidade de crescimento das empresas.

Mas é importante lembrar que eficiência e relacionamento não competem entre si. Eles se complementam. As seguradoras mais bem-sucedidas não serão as que tiverem os melhores sistemas ou os algoritmos mais sofisticados. Serão aquelas capazes de utilizar toda essa tecnologia para fortalecer a confiança entre pessoas, atributo que sempre foi a essência do setor.

No fim das contas, apólices são emitidas por sistemas. Mas a credibilidade continua sendo construída no olho no olho, na proximidade e nas relações pessoais que atravessam o tempo. Porque, no mercado de seguros, a tecnologia transforma processos. Mas são as pessoas que transformam relacionamentos.

Rodrigo Motroni, presidente executivo de Riscos e Operações da Newe Seguros

FONTE: LONGITUDE COMUNICAÇÃO

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