Inteligência Artificial no mercado de seguros: tendência ou sobrevivência?

Por Wesley Oliveira, executivo do mercado segurador, professor do Programa de Desenvolvimento de Competências para Corretores de Seguros realizado pelo Sindsegnne O mercado de seguros está vivendo uma transformação silenciosa, mas extremamente profunda. E ela não começa nas seguradoras, nos sistemas ou nas grandes insurtechs. Ela começa na mesa do corretor. Todos os dias, profissionais…

Por Wesley Oliveira, executivo do mercado segurador, professor do Programa de Desenvolvimento de Competências para Corretores de Seguros realizado pelo Sindsegnne

O mercado de seguros está vivendo uma transformação silenciosa, mas extremamente profunda. E ela não começa nas seguradoras, nos sistemas ou nas grandes insurtechs. Ela começa na mesa do corretor. Todos os dias, profissionais do setor enfrentam o mesmo desafio: responder mais rápido, analisar mais propostas, atender melhor, vender mais e, ao mesmo tempo, lidar com uma operação cada vez mais pesada.

Wesley Oliveira
Wesley Oliveira

A verdade é que o corretor moderno não perdeu espaço por falta de conhecimento técnico. Ele perdeu tempo demais com tarefas operacionais. É exatamente nesse ponto que a inteligência artificial deixa de ser tendência e passa a ser necessidade. Tenho provocado muitos profissionais com uma pergunta simples: “Seu concorrente já está usando IA. E você, o que está fazendo?”. Não é uma provocação sobre tecnologia. É uma provocação sobre sobrevivência competitiva.

Hoje, velocidade virou diferencial comercial. Um lead respondido em poucos minutos tem muito mais chance de conversão. Um cliente bem acompanhado no pós-venda tende a permanecer mais tempo na carteira. E, em um país onde o WhatsApp faz parte da rotina de praticamente toda a população, a expectativa por respostas rápidas e atendimento contínuo nunca foi tão alta.

Mas quando falamos em IA, muita gente ainda imagina algo distante, complexo ou inacessível. E não é. Os agentes de IA são, na prática, assistentes digitais treinados para trabalhar dentro da realidade da corretora. Eles podem analisar propostas, resumir condições gerais, revisar documentos, estruturar e-mails comerciais, organizar informações e apoiar o atendimento técnico. Funcionam como um colaborador digital disponível o tempo inteiro, seguindo regras, padrões e conhecimentos definidos pelo próprio corretor.

O ponto mais importante é entender que IA não substitui relacionamento. Não substitui estratégia. Não substitui confiança. O que ela substitui é desperdício de tempo. Enquanto o agente organiza informações, revisa documentos ou estrutura respostas, o corretor ganha espaço para fazer aquilo que realmente gera valor: entender o cliente, construir relacionamento, negociar melhor e pensar estrategicamente no crescimento da carteira.

Claro que existem limites. Inteligência artificial não deve prometer cobertura, emitir cotação sem validação ou assumir responsabilidades técnicas sem supervisão humana. O corretor continua sendo o cérebro estratégico da operação. A IA entra como braço operacional e suporte analítico.

Outro erro comum é querer criar uma ferramenta que faça tudo ao mesmo tempo. A melhor estratégia é começar simples. Um agente para revisar propostas. Outro para atendimento inicial. Outro para apoiar análise de seguros empresariais. Quanto mais específico for o objetivo, melhor tende a ser o resultado.

Também costumo dizer que um agente de IA não nasce pronto. Ele é treinado, ajustado e refinado continuamente. O processo ideal é simples: criar, testar, ajustar e melhorar. A qualidade do resultado depende diretamente da qualidade das informações que alimentam esse agente.

Por isso, defendo que corretoras comecem a construir suas próprias bases de conhecimento. Condições gerais, checklists, modelos de e-mail, padrões de atendimento e documentos internos passam a ter ainda mais valor dentro dessa nova realidade. Estamos entrando em uma fase em que o diferencial competitivo não será apenas quem conhece mais sobre seguros, mas quem consegue transformar conhecimento em escala, velocidade e experiência para o cliente.

No fim das contas, continuo acreditando na força do fator humano. O futuro do corretor não é artificial. Ele continuará sendo humano, estratégico e relacional. Mas agora existe uma diferença importante: os profissionais que aprenderem a trabalhar ao lado da inteligência artificial terão uma vantagem extremamente difícil de alcançar. E esse movimento já começou.

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