Ferramenta permite mapear cidade e monitorar as atividades de toda a capital na contenção de eventos climáticos
É perceptível que as mudanças climáticas já afetam o cotidiano da sociedade global. A partir disso, o Sindicato das Empresas de Seguros e Resseguros do Estado de São Paulo (Sindseg SP) junto com a Prefeitura de São Paulo uniram esforços para desenvolver iniciativas voltadas ao fortalecimento da resiliência climática da cidade. Na sexta-feira (12), foi realizado um evento que reuniu pessoas do setor segurador e o poder público para divulgar a nova ferramenta que vai permitir supervisionar os eventos extremos que ocorrem na capital.
O software é um modelo totalmente nacional que foi desenvolvido pela Guy Carpenter, consultoria de riscos, corretora de resseguros e especialista no desenho de soluções globais. Tecnologias capazes de mapear toda a cidade e monitorar em tempo real eventos catastróficos, além de fortalecer a prevenção e a resposta aos desastres, já foram implementadas pela Guy Carpenter na África do Sul, Alemanha, Japão, Marrocos e Portugal.
Segundo Patricia Chacón, presidente do SindSeg SP, a iniciativa foi realizada após uma conversa com Roberto Santos, presidente do Conselho da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), na qual identificaram como poderiam unir esforços para construir uma cidade mais resiliente em eventos catastróficos. Após o diálogo, a presidente observou que era essencial construir iniciativas para prevenir mudanças climáticas.
“Nos últimos tempos, poucos temas têm demandado mais a nossa atenção e cuidado do que a mudança climática. Os eventos do clima são cada vez mais frequentes e severos e causam impactos importantíssimos no dia a dia das pessoas e nos seus negócios”, comentou a executiva.
De acordo com Pedro Farme, CEO da Guy Carpenter, um evento extremo de grande magnitude pode gerar prejuízos de aproximadamente R$ 2,9 bilhões em residências e ativos na cidade de São Paulo. Por ano, o setor de seguros global paga US$ 100 bilhões por danos na natureza. Atualmente, eventos catastróficos acontecem com mais frequência, em 2024, o furacão Beryl, o primeiro da temporada de furacões no Atlântico, intensificou-se rapidamente, atingindo a categoria 5, algo inédito nos registros climáticos.
Já o Brasil, que historicamente sempre foi um país acostumado a não ter desastres naturais, começou a ter nesses últimos anos, por consequência principalmente do aquecimento global. Um exemplo deste fato são as enchentes que ocorreram em 2024 no Rio Grande do Sul, que foi considerado o maior evento de movimentos de massa da história do país. “O Brasil não tem requerimentos regulatórios de reserva, capital e resseguro para eventos da natureza”, diz Farme.
Dessa forma, prevenir estes eventos contribui para que o PIB daquela região se desenvolva, pois é uma arrecadação indireta de recursos, na qual, o dinheiro não está comprometido e não consome poupança, o que ajuda a virar reconstrução e um investimento a longo prazo.
Assim, a cidade de São Paulo observou a oportunidade de se tornar a pioneira na prevenção de eventos catastróficos e adotou a ferramenta. Para a contenção desses danos, o software dividiu a cidade em grids de 1km² para uma visão detalhada e holística.
Com isso, o estudo dividiu a cidade em cinco pilares estratégicos, que são: infraestrutura social, atividade econômica, mobilidade, vulnerabilidade social e serviços sociais. Essa divisão ocorreu, pois a Prefeitura não possui somente gastos com o dano, existe também o olhar para todo o funcionamento da cidade.
Atualmente, alagamentos são a grande exposição de risco que São Paulo possui, seja fluvial e pluvial. Entre todos os ativos expostos a risco alto, a inundação representa como principal risco para 76% das escolas e hospitais. Dentro desse número estão expostos mais de 103 mil alunos e mil leitos em hospitais e similares.
A presidente do SindSeg SP destacou que com a adoção desta iniciativa, a capital estará muito mais preparada no enfrentamento de danos climáticos. “Essa é uma ferramenta poderosíssima. São Paulo como uma cidade pioneira passa a usar para trabalharmos no resgate, ajudar as pessoas a se reconstruírem e também para nós construirmos um futuro melhor”.
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