Uso de serviços preventivos odontológicos cai no Brasil mesmo com expansão da cobertura

Estudo do IESS aponta retração de 21,2% nos procedimentos preventivos entre 2017 e 2024 e discute evidências sobre a relação entre saúde bucal e condições crônicas O crescimento do mercado de planos odontológicos no Brasil ocorre em um cenário de mudanças no padrão de utilização dos serviços de saúde bucal na odontologia suplementar. Estudo produzido…

Estudo do IESS aponta retração de 21,2% nos procedimentos preventivos entre 2017 e 2024 e discute evidências sobre a relação entre saúde bucal e condições crônicas

O crescimento do mercado de planos odontológicos no Brasil ocorre em um cenário de mudanças no padrão de utilização dos serviços de saúde bucal na odontologia suplementar. Estudo produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostra que os procedimentos preventivos odontológicos por mil beneficiários recuaram 21,2% entre 2017 e 2024, mesmo com o setor alcançando cerca de 34,4 milhões de beneficiários em fevereiro de 2026.

O levantamento “Saúde bucal e doenças crônicas: evidências da literatura e análise do uso de serviços no setor suplementar brasileiro”, disponível para download no site do IESS (clique aqui), aponta que a redução não se restringe aos procedimentos preventivos. No período analisado, também houve queda em consultas odontológicas iniciais (-24,9%), restaurações em dentes permanentes (-41%), exodontias (-39,2%) e próteses odontológicas unitárias (-44,9%), indicando mudanças em diferentes etapas da linha de cuidado odontológico.

Para o IESS, os dados sugerem alterações persistentes no padrão de utilização dos serviços odontológicos, inclusive após o período mais crítico da pandemia de Covid-19.

“O crescimento da cobertura odontológica demonstra a consolidação do setor suplementar no Brasil. Ao mesmo tempo, os dados mostram mudanças relevantes no padrão de utilização dos serviços odontológicos ao longo dos últimos anos, especialmente após a pandemia, tema que merece acompanhamento contínuo do setor”, afirma Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS.

O estudo destaca ainda que a saúde bucal deve ser compreendida como parte integrante da saúde geral. A revisão da literatura científica do trabalho identificou associação consistente entre doença periodontal, inflamação sistêmica e condições crônicas, como doenças cardiovasculares e diabetes.

Segundo a publicação, embora estudos internacionais apontem possíveis associações entre saúde bucal, controle glicêmico e desfechos cardiovasculares, ainda permanecem incertezas científicas relevantes sobre os efeitos clínicos diretos do tratamento odontológico na redução de eventos cardiovasculares maiores. O estudo destaca que parte importante das evidências disponíveis deriva de estudos observacionais, sujeitos a fatores de confundimento e vieses metodológicos.

No caso do diabetes, revisões sistemáticas analisadas pelo estudo sugerem que o tratamento periodontal pode contribuir para melhora do controle glicêmico em parte dos pacientes com diabetes tipo 2, embora os resultados ainda apresentem heterogeneidade entre os estudos.

O levantamento também chama atenção para o impacto cumulativo das condições bucais ao longo da vida. Entre idosos de 65 a 74 anos, a média de dentes perdidos chega a 19,86, enquanto a prevalência de edentulismo atinge 36,48%, afetando diretamente alimentação, comunicação e qualidade de vida.

Além disso, os dados mostram que os problemas bucais começam ainda na infância. Entre crianças de 5 anos, a prevalência de cárie não tratada alcança 46,83%, enquanto 37,17% nunca foram ao dentista.

O IESS reforça que os resultados evidenciam a importância de ampliar o entendimento da saúde bucal como componente da saúde integral e de aprofundar a produção de evidências científicas sobre seus impactos sistêmicos.

“O cuidado odontológico deve ser compreendido dentro de uma perspectiva mais ampla de saúde ao longo da vida. As evidências científicas nessa área vêm avançando de forma importante nos últimos anos e reforçam a relevância da saúde bucal no contexto do cuidado integral”, avalia Denizar.

FONTE: LetraCerta Inteligência em Comunicação

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