Fenômeno climático pode elevar a ocorrência de tempestades, alagamentos e vendavais em parte do país, reforçando a importância da prevenção e da revisão das coberturas de seguros
A possibilidade de eventos climáticos mais intensos associados ao El Niño acende um alerta para moradores, empresários e produtores rurais em diversas regiões do Brasil. Tempestades, vendavais, granizo, enchentes e inundações podem provocar danos ao patrimônio e aumentar a ocorrência de sinistros, tornando a prevenção e a revisão das coberturas de seguros medidas importantes para reduzir prejuízos financeiros.
Segundo Ricardo Dornellas, da D3 Seguros, corretora parceira da Lojacorr Seguros, os reflexos desse cenário também chegam ao mercado segurador. “O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar a circulação atmosférica em grande escala. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região, mas normalmente provocam aumento das chuvas no Sul e parte do Sudeste com tempestades mais intensas, vendavais, granizo, enchentes e inundações, enquanto parte do Norte e Nordeste pode enfrentar estiagens prolongadas.”
De acordo com o especialista, esse contexto amplia tanto a frequência quanto a gravidade dos prejuízos registrados pelas seguradoras. “Para o mercado segurador, isso representa aumento tanto na frequência quanto no tamanho dos sinistros. Os produtos mais impactados são os Seguros Auto, Residencial, Empresarial e Rural.”
Os riscos variam conforme o tipo de patrimônio. Em residências, vendavais podem provocar destelhamentos, queda de árvores, danos elétricos e alagamentos. Nas empresas, além dos danos estruturais, há possibilidade de paralisação das atividades, perda de mercadorias, avarias em equipamentos e dificuldades logísticas causadas por vias interditadas. Já no meio rural, chuvas excessivas podem comprometer lavouras, provocar erosão do solo, favorecer doenças nas plantações e causar danos em galpões, silos, cercas, máquinas e estradas de acesso.
Embora não seja possível evitar a ocorrência de eventos climáticos extremos, é possível reduzir seus impactos por meio de medidas preventivas e de uma análise criteriosa das apólices. Nesse processo, o corretor de seguros desempenha um papel consultivo, orientando os clientes sobre a proteção mais adequada para cada realidade.
“O corretor tem a função de orientar na prevenção do risco e mostrar o quanto é importante proteger o patrimônio”, afirma Dornellas. Entre as recomendações estão revisar as coberturas contratadas, verificar se os limites de indenização permanecem compatíveis com o patrimônio segurado, orientar sobre franquias, exclusões e participações obrigatórias, além de recomendar a manutenção preventiva de telhados, calhas, sistemas de drenagem e instalações elétricas. No caso dos produtores rurais, também é importante avaliar a proteção de máquinas, barracões e outras benfeitorias.
Outro ponto destacado pelo especialista é que essa avaliação deve ser feita antes da aproximação de um evento climático severo. “Também é importante conscientizar o cliente de que o seguro deve ser contratado ou endossado antes da existência de um risco iminente. Isto porque, a contratação poderá depender da vistoria de contratação para a análise da seguradora.”
Além da revisão das coberturas, cada modalidade de seguro possui características próprias que merecem atenção. No Seguro Residencial, por exemplo, é importante verificar a existência de coberturas para vendaval, granizo, ciclone, tornado, danos elétricos e, quando disponível, alagamento e inundação. No Seguro Auto, vale confirmar se a apólice contempla cobertura compreensiva, que inclui colisão, incêndio, roubo e eventos da natureza. Já no Seguro Rural, a recomendação é conferir se todos os bens estão corretamente relacionados na apólice e quais eventos climáticos fazem parte da cobertura contratada.
Diante de um cenário de maior exposição a eventos climáticos, especialistas reforçam que a combinação entre prevenção, planejamento e orientação profissional é uma das principais formas de proteger o patrimônio e reduzir os impactos financeiros causados por fenômenos naturais.
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