Gastos em saúde corporativa pode atingir 35% da folha até 2040 e intensifica novas estratégias de benefícios

Pesquisa da Lockton mostra avanço da coparticipação, uso de dados e novas demandas no RH diante da escalada dos custos assistenciais A evolução dos custos em planos de saúde no Brasil tem imposto uma nova dinâmica à gestão de benefícios nas empresas. Dados da 10ª edição da Pesquisa de Benefícios da Lockton, que reúne 627…

Pesquisa da Lockton mostra avanço da coparticipação, uso de dados e novas demandas no RH diante da escalada dos custos assistenciais

A evolução dos custos em planos de saúde no Brasil tem imposto uma nova dinâmica à gestão de benefícios nas empresas. Dados da 10ª edição da Pesquisa de Benefícios da Lockton, que reúne 627 organizações, mostram que o peso da assistência médica sobre a folha de pagamento já apresenta tendência de alta consistente nos últimos anos.

Esse movimento tende a se intensificar a longo prazo: o estudo indica que, se mantidas as taxas atuais de crescimento, que representam atualmente cerca de 12% ao ano para custos de saúde frente a 6% ao ano da folha de pagamento, a assistência médica pode representar aproximadamente 32% da folha até 2040, praticamente dobrando sua participação em menos de duas décadas.

“Os custos assistenciais vêm avançando em um ritmo desafiador, superior ao crescimento da folha. Esse cenário leva as empresas a revisarem não apenas o orçamento, mas também a forma como os benefícios são estruturados e utilizados”, afirma Bruno Cerboncini, Superintendente de Benefícios da Lockton Brasil. “Ao mesmo tempo, as empresas encontram desafios sobre os custos de saúde, com planos mais robustos e bem estruturados, que exigem mais foco em prevenção e gestão de riscos”.

Diante desse contexto, cresce a adoção de mecanismos como coparticipação e redesenho de planos, como forma de moderar a utilização e reduzir desperdícios. A pesquisa mostra que as operadoras chegaram a solicitar reajustes iniciais de até 24%, com negociação final em torno de 14%, reforçando a pressão sobre custos e a necessidade de maior controle na gestão dos benefícios.

A pesquisa também evidencia o avanço do papel estratégico dos benefícios dentro das organizações. Além de 63% das empresas já considerarem os benefícios parte central da proposta de valor ao colaborador, o estudo é um reflexo do aumento do uso de benchmarking e simulações financeiras para estruturar pacotes por nível hierárquico e antecipar impactos de custo. Na prática, as empresas passam por um processo de maturidade inicial, deixando de apenas oferecer benefícios e passam a gerenciá-los com base em dados, buscando maior previsibilidade e eficiência.

“Hoje, a gestão de benefícios exige um nível de análise muito mais sofisticado. Com um plano de seguros personalizado e focado em sustentabilidade financeira, as empresas têm passado a trabalhar com simulações, comparativos de mercado e leitura de risco para entender o impacto real desses programas no negócio, o que aproxima o RH de uma lógica cada vez mais estratégica”, afirma Cerboncini.

Esse movimento reflete uma transformação estrutural na gestão de saúde corporativa, com maior integração entre dados, comportamento e estratégia. Em um momento de volatilidade, que pede atenção sobre custos e aumento da complexidade, o RH passa a atuar como um agente de equilíbrio entre competitividade, sustentabilidade financeira e as novas demandas da força de trabalho.

FONTE: 4IN

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