Profissões ligadas ao cuidado multiprofissional ganham espaço na saúde

Psicólogos lideram crescimento entre 2019 e 2025; enfermagem concentra mais de 60% dos vínculos entre as principais ocupações O mercado formal de trabalho da saúde registrou forte expansão de categorias ligadas à saúde mental, ao diagnóstico, à reabilitação e a outras formas de cuidado entre 2019 e 2025. Os vínculos de psicólogos cresceram 151,1% no…

Psicólogos lideram crescimento entre 2019 e 2025; enfermagem concentra mais de 60% dos vínculos entre as principais ocupações

O mercado formal de trabalho da saúde registrou forte expansão de categorias ligadas à saúde mental, ao diagnóstico, à reabilitação e a outras formas de cuidado entre 2019 e 2025. Os vínculos de psicólogos cresceram 151,1% no período – o maior avanço entre as principais ocupações analisadas –, seguidos por técnicos em terapias complementares (141,3%), biomédicos (121,8%), nutricionistas (103%) e assistentes sociais (100%). O avanço simultâneo dessas categorias aponta para uma diversificação da força de trabalho da saúde, embora as profissões que tradicionalmente formam a base do setor ainda concentrem a maior parte dos vínculos.

Os dados são da nova edição do Monitor de Emprego na Saúde Privada (MESP), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que analisou a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) para entender a estrutura do emprego formal da cadeia produtiva do setor, incluindo vínculos do setor privado, de entidades sem fins lucrativos e da administração pública. Clique aqui e faça o download do relatório ou acesse www.iess.org.br.

Apesar das altas taxas de crescimento, essas profissões ainda representam parcelas menores do emprego formal analisado. Os psicólogos passaram de 13,5 mil vínculos em 2019 para 33,9 mil em 2025, elevando sua participação de 0,9% para 1,4%. Entre os biomédicos, o estoque avançou de 15,4 mil para 34,1 mil vínculos, com a participação também passando de 1,1% para 1,4%.

Entre as ocupações com maior número de vínculos formais, destaca-se o avanço dos enfermeiros: 82,1% de crescimento, de 217,1 mil vínculos em 2019 para 395,4 mil em 2025, elevando sua participação de 15% para 16,7%. Técnicos e auxiliares de enfermagem, maior categoria em números absolutos, cresceram 57,4%, de 676,9 mil para 1,07 milhão de vínculos. Os números se referem aos vínculos formais registrados na RAIS e não ao total de profissionais dessas categorias no País. Em 2025, por exemplo, os 395,4 mil vínculos de enfermeiros correspondiam a aproximadamente 49,7% dos registros profissionais ativos considerados pelo MESP.

“O crescimento dos vínculos de psicólogos pode estar relacionado a uma convergência de fatores. A partir da pandemia de Covid-19, cresceu a compreensão sobre a relevância da saúde mental para o cuidado e os riscos à saúde; desde 2022, a ANS também flexibilizou o volume de consultas anuais com psicólogos, expandindo a demanda por esses profissionais”, analisa Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS. “O avanço de ocupações ligadas ao diagnóstico, à reabilitação, à nutrição e a outras formas de atenção mostra a diversificação do cuidado, com maior participação de atividades fora dos hospitais e de cuidados integrados”, acrescenta.

O emprego formal permanece concentrado na enfermagem. Em 2025, técnicos e auxiliares somavam 1,07 milhão de vínculos, 45% do total entre as principais ocupações; enfermeiros respondiam por outros 16,7% (395,4 mil). Juntas, as duas categorias concentravam mais de 60% dos vínculos. Na sequência aparecem farmacêuticos, com 244,2 mil vínculos (10,3%); técnicos e auxiliares em saúde bucal, com 122,1 mil (5,2%); e médicos, com 110,3 mil (4,7%). As quatro primeiras ocupações concentram 77,1% dos vínculos considerados na análise.

Emprego cresce, mas remuneração real recua

O MESP também mostra que o emprego formal da cadeia produtiva da saúde continuou em expansão: o estoque passou de 2,24 milhões de vínculos em 2024 para 2,37 milhões em 2025, alta de 5,7% (cerca de 128 mil vínculos a mais). Em relação a 2019, o aumento foi de 63,1%.

“Uma das causas desse crescimento é o envelhecimento da população brasileira e o consequente aumento na demanda por serviços de saúde. É por isso que temos enfatizado a importância de priorizar ações de promoção à saúde: o Brasil precisa ficar atento ao envelhecimento saudável. Não basta viver mais, é preciso viver bem e com saúde”, analisa Denizar Vianna.

A expansão de empregos ocorreu simultaneamente à redução da remuneração média real: entre 2024 e 2025, houve recuo de 3,5% nas operadoras, 2,3% entre prestadores de serviços de saúde e 1% entre fornecedores. A dinâmica, porém, foi desigual pelo País: o Norte apresentou crescimento de 15,7% no número de vínculos – quase três vezes a média nacional – e foi a única região a registrar alta na remuneração média real, de 5,7%.

“É preciso ter cuidado para não interpretar a queda da remuneração média como uma perda geral entre os trabalhadores. Uma hipótese é o crescimento de ocupações em regiões com salários médios menores. A própria mudança na composição dessa base pode influenciar a remuneração média: se a expansão ocorre com maior intensidade em ocupações de menor remuneração, a média pode ser puxada para baixo. Portanto, não é possível atribuir a redução a um único fator, por se tratar de um processo bastante heterogêneo”, acrescenta.

FONTE: LetraCerta Inteligência em Comunicação

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